Atraso na vacinação durante a pandemia
Atraso na vacinação da Covid - 19: omissão ou genocídio?
O atraso na compra das vacinas por parte do Governo Federal tem como fatores principais a incompetência e a política negacionista assumida pelo Governo diante da situação enfrentada.
Por: Camila Gabriela dos Santos Carvalho
Data: 29/05/2021
Projeto: PIBID (Programa Institucional de bolsa de iniciação à docência)
Vacinação contra a Covid - 19 ((Foto: David Greedy / Getty Images)
Segundo a revista Rolling Stone, o Brasil ocupa a 56º posição no Ranking de doses aplicadas em comparação aos demais países. Diante dessa situação, o atraso na aquisição de vacinas e insumos para o enfrentamento da Pandemia por parte do Governo Federal, causa um retrocesso no Sistema Único de Saúde (SUS) e no cronograma de vacinação, que por consequência, fica atrasado dificultando o acesso da população ao direito de ser imunizada e se proteger.
Ainda de acordo com a revista Rolling Stone, a primeira pessoa vacinada no país foi a enfermeira Mônica Calazans no dia 17 de janeiro de 2021. Após esse acontecimento, cerca de 27.523.231 pessoas tomaram a primeira dose do imunizante, sendo a maioria profissionais da área da saúde e idosos entre 80 e 90 anos. Esse número corresponde a 13% da população brasileira, contudo não é suficiente para que a situação atual possa se normalizar.
Em entrevista ao jornal RBS TV, Thais Butelli, médica intensivista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, diz que:
“Os pacientes não podem ser visitados presencialmente. Então, a gente liga para as famílias para dar notícias todos os dias. Geralmente, são notícias muito ruins. E o que nos choca muito, a toda equipe, é o momento pré - intubação, que o paciente sabe que vai ser entubado, que explicamos que ele vai ficar inconsciente a partir daquele momento, que a família dele vai saber notícias dele por nós. Aí fizemos uma chamada de vídeo com a família antes da intubação. E nessa chamada a maioria deles se dá conta de que talvez seja uma despedida. Então, a gente vê filho se despedindo da mãe, mãe se despedindo de filho, de irmãos… E tem alguns que a gente sabe que de fato não vão sair dali. Essa é a vivência que a gente tem nesse período de pandemia que exacerbou nos últimos 15 dias, de gente ter uma UTI cheia de jovens e ter pacientes de 50, 60 anos sem comorbidade e que não vão conseguir acessar o CTI.” (Centro de Terapia Intensivo).
Frente a todos esses dados divulgados acerca da vacinação, outro fator alarmante é a postura do presidente da república Jair Bolsonaro diante dessa situação calamitosa que o país está passando, principalmente diante da recusa da compra de vacinas. No ano passado, a empresa farmacêutica Pfizer ofereceu 70 milhões de doses de imunizantes, e realizou três propostas de venda, sendo que todas foram negadas, pois, segundo informações do próprio Governo a empresa teria dificultado as negociações de compra das vacinas por possuir cláusulas abusivas e muita burocracia. Essas doses poderiam ter ajudado a salvar a vida de milhares de pessoas e evitar o colapso do sistema público de saúde que se intensificou nos últimos meses.
Em consequência disso, o Ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso instaurou esse ano, no dia 8 de abril, uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que tem como objetivo investigar se ocorreu algum tipo de intransigência por parte do Governo e Ministérios diante da problemática da Covid-19.
O processo citado acima é uma medida emergencial que possui um prazo de 90 dias para que sejam realizadas investigações e as apurações necessárias. Para que esse processo seja instaurado e colocado em prática é necessário que ⅓ do Senado Federal esteja a favor do requerimento e votem para o início da comissão, constituída por 11 senadores.
Instaurada a CPI, toma - se os depoimentos dos convocados. Todos esses depoimentos têm como função principal esclarecer os fatos e averiguar possíveis irregularidades cometidas pelo Governo Federal, não havendo julgamentos ou punições, pois cabe ao Ministério Público determinar após a conclusão e verificação das provas necessárias se houve ou não omissão. Além disso, os três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário também atuam nesse esquema, não se sobrepondo um ao outro funcionando assim de maneira harmônica e independente de acordo com a sua função estabelecida.
O principal assunto que está sendo discutido dentro da CPI são as ações que deveriam ter sido tomadas para o enfrentamento da pandemia e não foram. Por exemplo, maior disponibilidade de leitos de Unidade de Tratamento Intensivo, remédios divulgados e distribuídos para a população e para os hospitais apenas com comprovação científica, testes de Covid distribuídos para toda a população, insumos para os hospitais, distribuição de Equipamento de proteção individual para os profissionais da saúde, veiculação de campanhas midiáticas de conscientização e informação sobre os cuidados necessários para o enfrentamento da pandemia.
Diante da situação ainda vigente no Brasil é necessário que a população se conscientize e tome todos os cuidados necessários para se proteger, pois, no Brasil já são mais de 459 mil mortes em todo o Brasil e ainda não há vacina para todos.
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